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Fitch Eleva Ratings e Remove Observação Negativa da Rede Energia
A Fitch Ratings removeu, hoje, a Observação Negativa dos ratings da Rede Energia S.A. (Rede) e de suas subsidiárias, Centrais Elétricas do Pará S.A. (Celpa) e Centrais Elétricas Matogrossenses S.A. (Cemat). A agência também elevou os ratings da Rede e afirmou os ratings da Celpa e da Cemat, como segue:
Rede:
• IDRs (Issuer Default Ratings - Ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor) em Moeda Local e Estrangeira: 'B-' (B menos), de 'CCC';
• Rating Nacional de Longo Prazo: 'B(bra)', de 'CCC(bra)';
• IDR de Longo Prazo da emissão de notas perpétuas, no montante de USD575 milhões: 'B- (B menos)/RR4', de 'CCC/RR4'.
Celpa e Cemat:
• IDRs em Moeda Local e Estrangeira: 'B';
• Rating Nacional de Longo Prazo: 'BBB(bra)';
• IDR de Longo Prazo da emissão de notas conjuntas, no montante de USD100 milhões, com vencimento em 2012: 'B/RR4'.
Por fim, a agência atribuiu o Rating Nacional de Longo Prazo 'B(bra)' à proposta de emissão de debêntures da Rede Energia, no montante de até BRL370 milhões, com prazo de cinco anos. Os rendimentos da emissão serão utilizados para o pagamento da dívida de curto prazo.
A Perspectiva de todos os ratings corporativos é Estável.
A remoção da Observação Negativa e a elevação dos ratings da Rede refletem o sucesso do grupo em rolar seus vencimentos de curto prazo em um ambiente de crédito desafiador, que por sua vez demonstra sinais de melhora. O novo financiamento de BRL300 milhões do Banco do Nordeste (BNB), em junho de 2009, que será liquidado pela emissão de debêntures proposta, é um importante exemplo, que ocasionará o alongamento do perfil de dívida da empresa. A emissão conta com a garantia firme do BNB para até BRL300 milhões, do total de BRL370 milhões.
Os ratings do Grupo refletem sua contínua alta alavancagem e baixa liquidez, apesar da tendência de melhora da alavancagem em 2009, movida pelo processo de reajuste das tarifas e redução dos investimentos (capex). Esta tendência de melhora poderá ser interrompida em 2010, em virtude do aumento dos investimentos. O perfil de vencimento da dívida continua concentrado no curto prazo, e o risco de refinanciamento ainda é um importante desafio a ser enfrentado em 2010. Possíveis dificuldades para obtenção de aprovação para quebra de covenants financeiros poderão causar maior deterioração na qualidade do crédito da Rede e de suas subsidiárias, com impacto negativo direto sobre os ratings. A diferença entre os IDRs da Rede e de suas subsidiárias reflete a posição de liquidez mais apertada da Rede e a dependência dos dividendos de suas subsidiárias para atender ao serviço da sua dívida.
Emissão proposta aliviará, mas não resolverá as questões de refinanciamento
Em 30 de setembro de 2009, o grupo registrava BRL384 milhões de caixa, comparados ao BRL1,6 bilhão da dívida de curto prazo ajustada e aos BRL6,3 bilhões da dívida total ajustada. A dívida é ajustada por impostos parcelados, empréstimos entre companhias, acordos trabalhistas (plano Bresser), derivativos e ativos regulatórios relacionados à sub-rogação do subsídio CCC, dentre outros. Os vencimentos da dívida ajustada de longo prazo são de BRL250 milhões no quarto trimestre de 2010; BRL858 milhões em 2011; e BRL803 milhões em 2012. Se os BRL370 milhões da emissão proposta fossem integralmente subscritos, a dívida de curto prazo cairia para BRL1,3 bilhão, o que ainda é considerado desafiador. Diante deste cenário, e devido ao capex orçado em cerca de BRL791 milhões (líquido de financiamento vinculado de longo prazo) para 2010, a Fitch estima que o Grupo Rede terá em torno de BRL1,3 bilhão em necessidades de financiamento no próximo ano.
No âmbito da companhia isolada, a Rede tinha BRL10,8 milhões de caixa e equivalentes em 30 de setembro de 2009, contra BRL489 milhões de dívida de curto prazo ajustada e BRL2,2 bilhões de dívida total ajustada. Os vencimentos da dívida de longo prazo totalizam BRL33 milhões no quarto trimestre de 2010; BRL60 milhões em 2011; e BRL45 milhões em 2012. Se os BRL370 milhões da emissão proposta forem integralmente subscritos, a dívida de curto prazo cairá para BRL119 milhões. Diante deste cenário, devido à carga pesada das despesas com juros, a agência estima que a Rede terá em torno de BRL170 milhões em necessidades de refinanciamento em 2010.
Aporte de Capital Seria Solução Mais Efetiva Para a Alavancagem e os Riscos de Refinanciamento
Em função da estabilidade do fluxo de caixa inerente ao setor, o fluxo de caixa das subsidiárias operacionais tem potencial limitado de aumento, o que seria suficiente para servir a dívida de curto prazo do grupo ou da holding em 2010, tornando o risco de refinanciamento uma importante preocupação. Fontes secundárias de liquidez poderiam ser um significativo alongamento da dívida ou aporte de capital. A primeira alternativa é menos provável de acontecer em volume necessário, ainda que a Rede tenha demonstrado acesso a financiamentos de longo prazo, muito embora a custos de captação mais elevados. O aporte de capital seria uma solução mais eficiente e definitiva no curto prazo e poderia ocorrer através de uma oferta primária de ações na Bolsa e/ou de um aporte bilateral por parte de um novo ou já existente acionista. Devido à natureza estratégica de ambas as medidas, a Fitch não tem condições, neste momento, de avaliar a probabilidade de isso acontecer.
Alta Alavancagem Não Deverá Ter Mudanças Significativas em 2010; Risco Cambial é Preocupação
A estrutura de capital do grupo se caracteriza por alta alavancagem consolidada e uma proporção elevada de dívida denominada em dólar na empresa holding. Nos nove meses encerrados em setembro de 2009, o índice dívida total ajustada/EBITDA era de 5,2 vezes, e o índice dívida líquida ajustada/EBITDA, de 4,9 vezes, o que representa uma melhora em comparação com estes mesmos índices em 2008: 6,4 vezes e 6,0 vezes, respectivamente. A evolução é resultado do maior EBITDA gerado em 2009, aliado ao efeito positivo da valorização do real na dívida do grupo denominada em dólares norte-americanos. A cobertura dos juros, medida pela relação EBITDA /despesas brutas com juros, deteriorou-se para 1,6 vez no período de 12 meses de 2009, contra 2,6 vezes no ano de 2008, como resultado do aumento do custo médio da dívida no período. A Fitch não espera mudanças significativas nos índices de alavancagem ou de cobertura em 2010 em comparação com 2009, uma vez que o aumento do capex projetado para o próximo ano será parcialmente financiado por uma geração de caixa mais forte.
Em 30 de setembro de 2009, cerca de 24% do total da dívida estavam expostos a riscos cambais, excluindo a dívida junto ao Tesouro Nacional. A proteção cambial através de derivativos é considerada parcial, devido ao uso de swaps de moeda para proteger apenas os pagamentos do principal em algumas obrigações em dólar. Os pagamentos de juros das notas perpétuas, que eram cobertos por derivativos até 2008, não estão mais protegidos em 2009.
Desempenho Operacional Deverá Continuar Melhorando Até a Próxima Revisão Tarifária em 2011/2012
A manutenção de um EBITDA forte será fundamental para a Rede continuar rolando suas linhas de crédito. As receitas líquidas consolidadas e o EBITDA do grupo aumentaram 39% e 20%, respectivamente, nos nove primeiros meses de 2009, contra o mesmo período de 2008, em função da troca de ativos que trouxe a empresa de distribuição Enersul para o consolidado do grupo. Excluindo o efeito da troca de ativos, as receitas nos nove primeiros meses de 2009 teriam aumentado 15% em comparação com o mesmo período de 2009, basicamente movidas pelo aumento médio das tarifas de 13,9% de um ano para o outro e, em menor grau, aos 3,3% de aumento no volume de energia. Nesta mesma base de comparação, o EBITDA teria aumentado 14% no período.
Sob a perspectiva do fluxo de caixa, os Recursos das Operações (FFO), ajustados pelo pagamento dos impostos parcelados e dos acordos trabalhistas, atingiram BRL341 milhões nos nove primeiros meses de 2009, mais do que duas vezes os BRL127 milhões registrados no mesmo período em 2008, movidos pelo aumento das tarifas médias, apesar do aumento das despesas com juros no período. Os BRL523 milhões do capex fizeram com que o Fluxo de Caixa Livre ajustado atingisse BRL139 milhões negativos nos nove primeiros meses de 2009. Este resultado deve permanecer negativo em 2010, devido ao aumento do capex orçado. Em 2011, a Fitch espera que esta medida volte a se tornar positiva, refletindo a redução do capex e maior geração de caixa.
As áreas de concessão do Grupo Rede apresentam potencial crescimento em comparação com a média nacional, mas também estão sujeitas a grandes perdas de energia, em especial a Celpa. O programa para redução das perdas de energia da Rede e seu projeto de centralização de atividades administrativas ("Projeto Evoluir") serão fundamentais para a rentabilidade nos próximos dois anos. A Fitch espera que o EBITDA e o FFO aumentem em 2010 e 2011, movidos pela maior demanda no consumo de energia nas áreas de concessão cativas e pelas medidas de controle de custos da Rede, mas a segunda revisão tarifária a partir de 2011 poderá interromper esta trajetória.
Fonte: Fitch Ratings
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